
Grande é a nossa gratidão ao Papa. O relacionamento com ele remonta
aos anos 60, quando ainda era arcebispo de Cracóvia. Naquela época,
o cardeal Wojtyla tinha reconhecido a ação de um carisma no Movimento.
Permanecerá marcado na história, aquele primeiro grande encontro do Papa
com os movimentos e as novas comunidades, na vigília de Pentecostes, em 1998,
na Praça de São Pedro. Pareceu-nos viver um novo tempo da Igreja: a Igreja
do Concílio, não apenas hierárquica e petrina, mas também carismática e
mariana, duas dimensões por ele consideradas “co-essenciais”,
reconhecendo, assim, um lugar na Igreja para nós.
Mas, ao longo de todo o seu pontificado, ele sempre abriu totalmente as portas
às novidades do Espírito: o que parecia impossível aos
canonistas, ele tornou possível:
como o inserimento, numa obra católica, de pessoas de outras Igrejas
cristãs,
de fiéis de outras religiões e de quem não tem uma fé religiosa;
que cardeais e bispos tenham um vínculo espiritual com o movimento;
e ainda, que seja sempre uma mulher a ser presidente desta Obra que abraça
também
bispos, sacerdotes e religiosos, abrindo assim novas perspectivas ao papel
da mulher e à abertura
da Igreja.
Depois, os encontros com ele foram inúmeros, as audiências, os convites para
o almoço e... por oito anos, os seus telefonemas de felicitações pelo meu
onomástico no dia de Santa Clara de Assis... até me chamar irmã, na sua
última carta.